Apesar de a primeira audição me ter deixado imediatamente rendida decidi esperar uns dias, umas audições, até escrever qualquer coisa. Quando coloquei o disco a tocar não fazia grande ideia ao que ia: nunca ouvi a Continents enquanto esteve disponível. Das duas uma: ia gostar e ficar demasiado ansiosa/com expectativas demasiado altas para o resto do disco, ou não ia gostar e quando ele saísse não ia ter muita vontade de ouvir. Não me arrependo nada da decisão, o efeito surpresa foi monstro.
A perfeição com que todos os elementos são introduzidos ao longo das sete faixas é arrepiante. Chama-se Secret House mas bem podia ser Desert House, já que é para o que o álbum me transporta; por vezes até consigo ouvir o eco, sentir o pó a passear-se no ar. Ou talvez Secret House seja o nome correcto, por o disco me fazer encontrar essa tal casa...
Adoro o tom desolador da guitarra, adoro o trabalho de bateria que acrescenta mesmo algo à música, não está “só lá”. Adoro os pequenos sons de fundo, imperceptíveis nas primeiras audições, e a versatilidade da voz. É música minimalista mas tem tantas camadas e tanto para descobrir que é incrível.
Por uma vez, a descrição de um álbum pela editora acerta na mouche: 'as a whole, recalls a void, a shoreless pit, a slow nihilistic descent into absolute blankness...'
Mais um obrigatório este ano.
3 comments:
<3
Ouvi dizer que isto é bom e acredito piamente que sim, agora que recebeu também a tua bênção.
Ouve em paz, sem ninguém por perto. De preferência antes de te deitares.
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